sexta-feira, 6 de agosto de 2010

No espelho vê-se o rosto, no vinho a alma

No espelho vê-se o rosto, no vinho a alma


Há várias formas de se estar sozinho e a pior delas é estar solitário por entre a gente mesmo. Estar rodeado por pessoas e mesmo assim sentir-se só, vencido, embrutecido, incapaz de reagir, de trazer a tona o melhor de si o seu “eu” capaz de lhe fazer olhar no espelho da vida e encontrar-se.
O bar estava cheio e ao mesmo tempo vazio, estava barulhento e, no entanto, silencioso. Na verdade era minha alma que clamava por tudo aquilo; a solidão, o silêncio... O mal do século, verdadeiramente, é a solidão – digam o que disserem. A mesa afastada de tudo e de todos servia-me como abrigo, ali fora o lugar que escolhera para me refugiar, me abrigar, me esconder.
Fragmentos de lembranças pintadas na parede da memória, gole a gole, vinham surgindo como sombras às escuras, sombras estas capazes de levar-me dali nos seus braços à um lugar que gostava de estar. Viajava no tempo e no espaço através de mim, para dentro de mim, lá bem fundo, nas entranhas da alma onde está tudo que se quer. Então te encontrava sorridente, suplicante de meu perdão e de meu amor. Ficávamos bem, não havia o mundo com suas regras construídas por uma sociedade hipócrita.
Sim, verdadeiramente o vinho é o espelho de nossa alma, leva-nos a conhecê-la, a escutá-la, entendê-la. Serve-nos de combustível para este tipo de viagem que se faz sem sair do lugar indo tão longe. É aí que gosto de te encontrar, dentro de mim, protegida de tudo e de todos – eu fecho os olhos e você está dentro de mim como sempre esteve.
Mas se no vinho podemos ver a alma, no espelho vemos o rosto, os olhos avermelhados de chorar, embrutecidos, tristes, vergonhosos, vencidos. Depois de mergulhar na alma, levado pelo vinho amigo, espelho de mim, o amanhecer me leva ao espelho da vida que me torna incapaz de perdoar mesmo quando não há o que se perdoar.
Você errou e seu crime foi confessar seu erro, talvez se tivesse me escondido a verdade ainda a teria em meus braços, amando e sendo amado. Mas o mundo, o grande espelho da vida, nos torna frios, incrédulos, descrentes de todos e de tudo.
Então, decidi viver meus dias assim; o espelho que me mostra aquilo que todos vêm diz que não posso te perdoar, que não pode ser minha nem eu de você. Mas o vinho que me serve de espelho para a alma mostra a verdade, revela o interior onde você está guardada e, certamente, de onde nunca sairá.

2 comentários:

Bia disse...

SOMOS ASSIM EMBRIAGADOS DE VINHO DA VERDADE QUE NOS MOSTRA QUE NÃO SABEMOS DE NADA E QUE TODAS AS VERDADES PODEM ESTR ESCONDIDAS E AO MESMO TEMPO T~~AO PROXIMAS OU MELHOR TÃO NO NOSSO INTIMO QUE VÊ-LAS SE TORNA IMPOSSÍVEL.MAS CONTINUE SUA BUSCA CONTINUE OLHANDO PARA O HORIZONTE INTERNO POIS É LÁ QUE VOCÊ VAI ENCONTRAR SUA VERDADES.MEDITE SEMPRE COISAS BOAS.SEMPRE PARA ALCANÇAR A EVOLUÇÃO.BEIJOS DE SUA AMIGA.

Anônimo disse...

muito bem, bravo