terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vida de morto


Vida de morto


   - Quem é você?
   - Quem sou eu? Então não sabes quem sou?
   - Não. Deveria saber?
   - Ah, sim. Deverias mesmo.
   - Então me diga quem é você?
   - Primeiro vamos dar uma olhada em tudo isto aqui.
   Um homem alto, magro, cabelos negros caminhava dentro do barracão com um olhar atento e maravilhado. Parecia vibrar de felicidade com tudo que via.
   Outro homem, baixo, meio gordo, calvo, cabeça metida entre as mãos estava sentado próximo à porta de entrada. Parecia confuso.
O barracão, comum a quase todas as casas, continha em seu interior praticamente as mesmas coisas que se guarda em cômodos isolados da casa principal: uma bicicleta velha dependurada por cordas na estrutura de madeira do telhado, alguns sacos de roupas velhas num canto, cadeiras quebradas, brinquedos velhos... e tantas outras. Tantas quantas se podem guardar com promessa de um dia consertá-las ou doá-las.
O homem alto andava circulando uma corda amarrada no caibro central do telhado que balançava num estranho movimento uniforme. O homem gordo continuava sentado à porta com as mãos a tapar o rosto demonstrando estar aterrorizado. Cansado do silêncio daquele estranho, o homem gordo finalmente rompe o silêncio:
- Meu nome é . Quem é você?
- Eu sei quem você é. Não sabes mesmo quem eu sou e nem porque estou aqui?
- Quem você é eu não sei, mas imagino que está aqui para me impedir de seguir adiante com minha decisão. Só não sei como você soube o que faria.
- Espera ai – disse surpreso o homem alto – então não sabes o que fizeste?
- Sei apenas o que vou fazer.
- E o que seria?
- Vou me matar nessa corda ai, não agüento mais. Neste momento o homem alto levou as mãos para o alto, deu um horripilante sorriso e disse:
- Tu deves estar brincando comigo? Pareceu falar com Deus, mas estranhamente num tom debochado. Então você vai se matar? Perguntou colocando-se de joelho na frente do homem sentado.
- Vou sim, e você não vai conseguir me impedir.
- De forma alguma, não vou mesmo.
- E quem é você? Diga-me agora. Você é um anjo?
- Anjo? Deu outro eloqüente sorriso o homem alto agora em pé novamente circulando a corda. Sim sou um anjo, sim.
- Então não deveria tentar me impedir? Perguntou o homem gordo se levantando e seguindo em direção a corda. Depois de mergulhar em seus pensamentos o homem alto finalmente falou:
- Tudo bem. Vou fazer um pacto com você. Deixa eu te mostrar como vai ser tudo aqui depois de morto. Talvez você perceba o erro que cometeu.
- Então eu poderei saber como será tudo? Vai me mostrar o futuro?
- Não apenas isso, vou deixar você viver o futuro da sua morte. Aceita este pacto?
- Aceito sim, me parece perfeito. O homem alto foi até a porta gargalhando bastante. Parecia enlouquecido com tal idéia. Num gesto simples de levar a mão ao vento, como que liberando o tempo foi dizendo:
- Então viva sua morte.
Neste momento Ciro olhou para a corda e se viu enforcado,sem vida, balançando de um lado ao outro. Cuidou de tocar-se para certificar que não estava sonhando. Levou a mão ao próprio corpo na corda, para espanto seu sua mão transpassou de um lado a outro. Ficou atordoado, confuso. Sentiu-se tonto. Procurou o anjo no barracão, mas não mais o viu. Segundos depois a porta do barracão se abre. Olhando de relance viu sua filha entrar para pegar algum brinquedo. Esta ao vê-lo correu em sua direção gritando e chamando o pai.
O corpo estava dependurado na corda, a menina abraçada a ele como se quisesse tirá-lo dali. Chorava, gritava a mãe num tamanho desespero que o pobre homem tentou tirá-la de perto do seu próprio corpo morto, mas não podia. Não conseguia tocar na menina, como não pôde tocar o corpo morto.
Em seguida entra a mãe em socorro da filha e encontra o marido morto numa corda e em sua volta a filha agarrada ao pai. O desespero dentro do barracão é compartilhado de todos: o pai que nada podia fazer para evitar o sofrimento da mulher e da filha; a pobre criança que perdia o pai; a mulher que perdia o marido. O homem tonto com tudo que presenciava buscava desesperadamente entender tudo aquilo. Buscava ao mesmo tempo pelo anjo que ainda há pouco lhe falava. Nenhum nem outro, nem este nem aquele. O anjo havia partido, entender o que vivia era impossível. Como antes estava, sentou-se novamente no chão e meteu o rosto nas mãos. O choro da esposa se somava ao da filha. Tudo fazia  experimentar dores como nunca antes o havia sentido.
A pobre mulher não sabia se tentava tirar o marido da corda ou a filha do barracão, optou pela última. O marido estava morto mesmo, nada adiantava fazer. Não pensou bem assim, mas primeiro na menina que certamente ficaria traumatizada pelo resto da vida com tal cena. A menina se agarrara ao pai como nunca antes o fizera. Chorava de soluçar. Era a pobre criança, naquele momento, como duas longas facas no coração de .
Com o alvoroço o vizinho do lado esquerdo, Francisco, correu a saber o que teria acontecido. Viu o amigo morto na corda com mulher e filha a chorar. Desesperou também, mas não antes de tirar dali Madalena e Natali. Ambas foram levadas para dentro de casa. Do muro Francisco chamou pela esposa que veio de imediato ao auxílio da amiga. Francisco apanhou o telefone e chamou a polícia. Ambos permaneceram calados na sala. A filha agarrada à mãe se quer falava uma palavra; Madalena maninha a filha junta ao peito, acariciava seus cabelos louros e cacheados; Francisco espera afoitamente a chegada da polícia; Lucia, esposa de Francisco, conseguia apenas benzer-se.
Tão logo chegou a polícia, veio também o corpo de bombeiros com suas luzes e sirenes. Com estes vieram os curiosos. E eram inúmeros. Todo tipo de gente se juntou na frente da casa. Todos querendo ver a hora que sairia o corpo. Em meio a tantas pessoas surgiam os mais variados boatos sobre o que teria levado  ao suicídio: acho que ele pegou a mulher com outro – dizia uma mulher gorda; ele estava cheio de dívidas – sentenciou um negro; fiquei sabendo que ele foi pego roubando no emprego – falou uma senhora. Eram muitos os motivos apresentados, porém saber o verdadeiro motivo de tal loucura era impossível a toda aquela gente.

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 era tabelião num cartório no centro da cidade. Homem de princípios. Religioso, temente a Deus. Costumava ser visto aos domingos no parque da cidade brincando com a filha. Quando lá não estavam, pelo menos do lado de fora da casa ficavam. A menina adorava andar de bicicleta. Havia aprendido há pouco, o pai lhe ensinara.
 tinha estatura baixa, gordo – não obeso, uns quilinhos a mais. Ultimamente passou a ir trabalhar a pé na tentativa de combater o sedentarismo que a profissão lhe taxava, metido atrás de uma mesa a datilografar mais e mais documentos.
Costumava sair com a mulher, Madalena, aos sábados à noite. Quando não era eles que iam à casa de Rosária, Irmã de Madalena, era Rosária e o marido Humberto que vinham à casa de . Rosária além de ser irmã de sua esposa era casada com seu primo. Juntos os quatros passavam horas a saborear petiscos e a beber. Eram os quatro unidos em tudo, compartilhavam praticamente o mesmo gosto para bebidas e guloseimas. Gostavam de freqüentar os mesmo bares da cidade quando não estava nem na casa de um nem do outro. Mas tudo com muita serenidade, tinha as duas famílias o orçamento apertado. Rosária e Humberto tinham dois filhos.


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A multidão de continuava firme à frente da casa na esperança de acompanhar a saída do suicida, do corno, do ladrão, do fintam. Já era assim taxada àquela altura. Então para felicidade ou tristeza do aglomerado eis que vem saindo o corpo numa urna de madeira coberto com um pano. Alguns se benziam, outros excomungavam, mas todos se calaram quando de dentro da casa veio a filha correndo pedindo que o pai se levantasse e fosse andar de bicicletas com ela. A mãe veio logo atrás tentando impedir que a filha chegasse perto do corpo do pai, mas não conseguiu, a menina era tinhosa. Conseguiu escapar aos braços da mãe e dos soldados que seguiam o pequeno cortejo dos fundos da casa até a viatura. Num gesto de puro desespero a menina retirou o pano que cobria o corpo do pai, todos que assistiam a cena ficaram perplexo.  estava de olhos aberto. Trazia uma expressão de dor. Levou frações de segundos até que um soldado segurasse a menina e um outro cobrisse novamente o corpo, mas foi o bastante para que a imagem ficasse na cabeça de todos que assistiram.
Em meio a toda confusão  caminhava maltrapilho de vida. Partilhava do sofrimento da filha, mas nada conseguia fazer, se não assistir a tudo mergulhado em seus lamentos. Já estava àquela altura convencido de que não continuaria com a loucura de se matar. Procurava o anjo no meio das pessoas desesperadamente, mas não o encontrava. Olhou várias vezes para o céu como que querendo dizer a Deus que tinha aprendido a lição, que poderia voltar a viver de verdade. Mas o Deus parecia não ouvir suas súplicas.
Tão logo saíram as viaturas militares e com a mãe e a filha voltando para dentro de casa a multidão foi se dispersando. Cada uma para cuidar de suas próprias vidas. Cirino manteve-se parado a frente da casa por um momento. Já tinha se acostumado um pouco com sua vida de morto. Os carros lhe transpassavam o corpo, pessoas não o viam. Ninguém o percebia ali. Mas ele os via.
Depois de um tempo Cirino sentou-se na escada de quatro degraus que levava até a porta de entrada da sala. Num gesto rotineiro meteu o rosto nas mãos e ficou ali sentado solitário em seus atordoados pensamentos. Não conseguia entender o que lhe acontecia. Seria tudo um castigo de Deus pela sua intenção de se matar? Se fosse estava bom. E se Deus ainda não estiver satisfeito e resolver lhe fazer vivenciar tudo aquilo por mais algum tempo. Até onde poderei suportar tudo isso?
O pobre morto não sabia aonde ir. O que fazer. Não sentia fome, não sentia sono. Nem frio, nem calor, era um verdadeiro defunto. Mas como saber se realmente estava morto, nunca antes houvera sabido como se é estar morto vivo.
O enterro de seus restos mortais se deu no dia seguinte às quatro horas da tarde. O padre falou poucas palavras. A urna era bem simples, era a mais cara que pôde a mulher pagar. Sua filha estava lindamente triste. A mãe a vestira toda de preto. Colocou-lhe um chapéu que lhe caia de lado contrastando com a pela macia, suave e molhada de lágrimas de seu rosto.
Antes que fosse levado até ao fundo o caixão foi aberto um minuto para a despedida final. Natali não disse se quer uma palavra, manteve-se em silêncio. Trazia junto ao peito uma rosa, uma linda rosa vermelha que colocou sobre o peito do pai morto. Retirou o véu que cobria o defunto e deu lhe um beijo no rosto. Olhou firmemente o pai e levou sua mãozinha em sua cabeça, desceu até o coração e apontou para o morto. Poucos entenderam, mas a mãe não mais se conteve e desmaiou. Era aquela uma doce brincadeira entre pai e filha. Dizia meigamente e ingenuamente: - EU AMO VOCÊ.
Cirino mantinha-se quase sem forças ao lado da filha. Desejava poder lhe tocar naquele momento. Mais ainda, ansiava por acabar com aquilo logo e voltar para sua família. O cemitério estava repleto, pessoas cochichavam entre si sobre a situação da pobre criança e da viúva. Mas ao final de meia hora todos já tinham ido embora. Nem mesmo Madalena e Natali permaneceram. Foram levadas dali por Humberto e Rosária que igualmente a elas estavam chocados com o acontecido. Cirino acompanhou todo o seu sepultamento. Viu quando os coveiros entre risos e prosas diversas, depois de todos terem se saído,  terminar de jogar a terra vermelha sobre o caixão com seu corpo. Em minutos estava apenas Cirino no cemitério, sentado sobre sua sepultura. Ainda não conseguia entender porque era preciso passar por tudo aquilo.
Ficou tão mergulhado em seus pensamentos em busca de respostas que teve a sensação de ter dormido. Acordou sem saber por quanto tempo dormira, mas ao abrir os olhos viu o anjo sentado ao seu lado sobre a tumba. Sentiu alegria em revê-lo, teve a intenção de abraçá-lo, mas não o fez. Conteve-se numa frase:
- Eu entendi tudo, anjo. Já sei qual era a intenção de Deus. Já estou pronto para voltar ao passado e viver novamente com minha família. Com minha mulher e minha filha. Você viu minha filha, coitadinha, está tão triste.
- Voltar ao passado? Dissimulou o anjo. Não,não podes voltar ao passado. Ainda não viu tudo que tem de ver.
- Eu vi sim, estou sofrendo muito. Eu juro que não mais vou me matar. Pode acreditar. E pode dizer a Deus também.
- Dizer a quem? Não seja idiota, Ele já desistiu de você naquele barracão.
- Não, não pode ser. Deus não desiste de ninguém. Eu peço perdão meu Deus! Gritou Cirino se jogando ao chão de joelhos e olhando para o céu.
- Vocês são tão medíocres. As coisas não acontecem como vocês acham. Para tudo há um limite. Até mesmo para o amor Dele. Venha eu vou lhe fazer um favor. Veja bem, preste atenção. Depois não vá dizer que não sei ser bonzinho também.
Cirino acompanhou o anjo que seguia à sua frente. Mas na medida que andava uma fumaça turva o impedia de continuar vendo o anjo que desaparecera por completo. De repente, Cirino estava de volta a sua casa. Do lado de fora Natali estava sentada nos degraus da escada. A mãe estava á sua frente segurando sua bicicleta.
- Venha Natali, venha meu amor, dê uma voltinha de bicicleta, você gosta tanto de andar. Mas a menina se mantinha em silêncio. A mãe continuava.
- Olha meu amor, já se passaram mais de trinta e cinco dias. Seu pai não vai mais voltar. Ele está lá no céu agora te olhando. Da uma voltinha para ele ver. Mas a menina não se atendia aos apelos. Não conseguia. Era o pai quem sempre lhe fazia companhia naqueles momentos. Sentia profundamente a perda do eu companheiro de brincadeiras. A mãe sentou-se ao seu lado, começou a chorar dizendo:
- Filha, eu já perdi seu pai, não posso perder você também. Você não come direito. Não quer mais ir a aula. Não diz nada. Só fica calada. Se deixar passa o dia todo sentada nessa escada. Eu não sei o que fazer. Oh, meu Deus, onde está o senhor. Por que fizeste isso comigo? Disse a mulher se levantando e seguindo para dentro da casa. A menina continuava calada, parada, quieta.
Cirino sentou-se ao lado da filha. Sabia que não podia tocá-la nem ser ouvido. Mesmo assim aproximou-se bem perto do ouvido da criança e disse:
- Meu amor, eu amo você. Perdoa-me. Eu fui tão idiota em fazer  que fiz. O papai ama você. Não quero te ver sofrendo assim. Nem a você nem a sua mãe. Por favor, ande de bicicleta.
- Ela não pode te ouvir, seu imbecil. Disse o anjo que se colocara à frente do pai e da filha. Ela nem se quer sabe que você está aqui.
- E que tipo de anjo é você? Não tens amor no coração? Perguntou Cirino se levantando.
- Sou do tipo de anjo que adora a insanidade humana, seu otário.
- Então não é um anjo de Deus. Disse aterrorizado Cirino.
- Nunca sobe que o demônio é também um anjo.
Cirino recebeu aquela notícia como uma verdadeira bomba. Num segundo lembrou de tudo que ouvira daquela estranha criatura. Percebeu que em momento algum o desgraçado havia dito ser anjo de Deus. Sentiu-se perdido. Sentiu-se definitivamente morto naquele momento. Olhou loucamente para a filha percebendo que realmente havia perdido sua princesinha para sempre.
- O que é destinado a todo suicida você conhece, não é mesmo? Perguntou gargalhando enquanto se transfigurava numa criatura medonha. Cirino desesperou.
- Eu sei, é o fogo do inferno. Mas eu ainda não me matei, você disse que me mostraria o que aconteceria se eu me matasse.
- Não mesmo, ser detestável, eu disse que lhe mostraria o futuro de sua morte e aqui está ele. Tudo isso acontece de verdade. Quando se matou naquele barracão você abriu mão de tudo isso. Do amor da própria filha. É disso que falava quando disse que o bonzinho lá de cima não perdoa esse ato. Acha mesmo que ele vai salvar de minhas garras aquele que tira a vida que ele próprio presenteou?
- Não, por favor me dê outra chance você.
- Deixe de ser estúpido. O único motivo pelo qual eu permiti isto até agora é porque é mais prazeroso vê-lo sofrer tanto. Agora vamos embora, terminou a parte boa de sua morte, de agora em diante você vai saber como é bom abrir mão da vida que Deus dá. Dizendo isso o demônio partiu em direção de Cirino que correu para tentar abraçar a filha, mas não pôde, foi agarrado antes pelo demônio que o arrastava na direção de uma espécie de buraco negro. Enquanto era arrastado Cirino gritava para a filha:
- Lute minha princesa. Reaja, eu amo você. Ande de bicicleta vai minha filha, por favor me perdoa. A menina se levantou de ímpeto apanhou a bicicleta e sentou nela. Cirino chorava ao ver sua princesa reagir, mas a menina desceu novamente, apanhou a bicicleta pelo quadro e a arrastou em direção do tambor de lixo. Era Cirino arrastado pelo demônio e a bicicleta pela menina que chorava. Só deu tempo de Cirino ver o momento em que Natali jogou a bicicleta fora. Depois disso desapareceram na escuridão o demônio e Cirino.

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Cirino nunca pôde saber, mas dias depois Natali conseguiu andar de bicicleta novamente. Conseguiu sorrir. Conseguiu ser criança novamente. No entanto, ainda hoje depois de passados vinte e três anos ela ainda não consegue entrar no barracão nos fundos da casa da mãe. Casada, mãe de duas crianças, é Natali quem brinca com os filhos no parque e em frente à sua casa. Ela mesma os ensinou as primeiras pedaladas.

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Madalena nunca mais se casou. Viveu os últimos anos de sua vida de trezena em trezena, de novenas em novenas. Não perdia uma missa que fosse. Freqüentou várias religiões diferentes, sempre em busca de alguma que pudesse salvar a alma do marido. Morreu num leito de hospital vítima de diabetes. Trazia sempre consigo uma foto do marido ainda jovem onde se podia ler no verso:

Por você eu vivo, por você eu morrerei.







Geraldo Ferraz de Assis
Barbacena, 21 de agosto de 2007
01:59’35”


Obra não revisada...

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